Câmara aprova prioridade para infraestrutura de comunicação em áreas de desastre, Anatel vai regulamentar mudanças na Lei Geral das Antenas

Comissão aprova projeto que prioriza infraestrutura de comunicação em áreas de desastre - Notícias

PL 4893/24 estabelece instalação emergencial e temporária de infraestrutura de comunicação em áreas de desastre para apoiar resgates, com regulamentação da Anatel e foco na Defesa Civil

A Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados aprovou projeto que dá prioridade para a instalação de infraestrutura de comunicação em áreas de desastre, com o objetivo de apoiar equipes de resgate, autoridades e a população. O texto aprovado é o substitutivo do relator, deputado Daniel Agrobom (PL-GO), ao PL 4893/24, de autoria do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), mantendo os objetivos centrais da proposta original.

Com a medida, situações de emergência terão protocolo específico para viabilizar a rápida ativação de comunicação emergencial, garantindo conectividade mínima e mais previsível. Em um país sujeito a eventos extremos, a falta de sinal de telefonia e internet pode atrasar resgates e comprometer o atendimento a comunidades afetadas, por isso a priorização da infraestrutura de comunicação em áreas de desastre é tratada como ponto central do projeto.

O substitutivo altera a Lei Geral das Antenas, norma que estabelece regras para a implantação e o compartilhamento de infraestrutura de telecomunicações, além de tratar da expansão da internet banda larga. Caberá à Agência Nacional de Telecomunicações, Anatel, regulamentar a futura lei, detalhando os procedimentos operacionais e definindo responsabilidades para atuação coordenada com órgãos públicos.

O que muda com o PL 4893/24

O texto aprovado explicita que, em caso de desastres e emergências, prestadoras poderão instalar e operar infraestrutura de telecomunicações emergencial em caráter temporário e prioritário, conforme o plano de contingência aprovado pela Defesa Civil. A proposta define que a Anatel deverá estabelecer regras claras sobre prazos, procedimentos de instalação, operação e eventual desmobilização dessa infraestrutura.

O substitutivo também prevê a definição das responsabilidades das empresas de telecomunicações, com mecanismos de articulação com órgãos públicos, para agilizar autorizações e garantir a segurança das operações em campo. Além disso, estão previstos incentivos às prestadoras que comprovarem o cumprimento das obrigações previstas, estimulando investimentos e a disponibilidade de soluções de conectividade rápida em contextos críticos.

Ao defender o texto, o relator destacou a gravidade de interrupções de sinal durante eventos climáticos severos. Nas palavras de Daniel Agrobom, “>A experiência recente de eventos extremos no Brasil demonstra que a ausência de conectividade agrava danos, dificulta o acesso a rotas de fuga e compromete a logística de assistência às comunidades atingidas”. Já o autor da proposta, Amom Mandel, reforçou que “>Em situações de crise, a comunicação torna-se um elemento crucial para a coordenação de ações de resgate, socorro e assistência à população afetada”.

Papel da Anatel e da Defesa Civil

Com a nova diretriz, a Anatel deverá regulamentar, com prioridade, o uso de infraestrutura de comunicação em áreas de desastre, criando um manual de procedimentos para ativação de redes temporárias, inclusive com critérios de segurança, qualidade mínima de serviço e integração com sistemas de alerta. A regulamentação tende a simplificar processos, garantindo previsibilidade para as operadoras e maior eficácia na resposta às emergências.

A Defesa Civil, por sua vez, atuará como referência técnica para o plano de contingência, indicando onde a comunicação é mais crítica, quais tecnologias podem ser priorizadas e como sincronizar a atuação com equipes de resgate, prefeituras e governos estaduais. O objetivo é fazer com que a comunicação emergencial suporte o mapeamento de rotas de fuga, o despacho de recursos de socorro e a orientação em tempo real da população, reduzindo riscos e acelerando a assistência.

Ao articular responsabilidades e incentivos, a proposta busca garantir que, mesmo quando a infraestrutura fixa estiver comprometida, soluções temporárias, como estações de acesso móveis e enlaces de contingência, possam ser acionadas de forma rápida, segura e coordenada, preservando a conectividade em momentos críticos.

Próximos passos na Câmara e no Senado

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas Comissões de Comunicação e de Constituição e Justiça e de Cidadania, CCJ. Após a conclusão da análise nas comissões, a proposta seguirá o fluxo legislativo regular. Para se tornar lei, também precisará ser avaliada pelo Senado Federal, respeitando as etapas de discussão e votação.

Segundo a Câmara, o escopo do texto é manter a essência da proposta original, ao mesmo tempo em que promove ajustes de redação para dar clareza às responsabilidades e à regulamentação pela Anatel. O avanço do projeto sinaliza uma política pública que coloca a infraestrutura de comunicação em áreas de desastre no centro da estratégia de resposta, fortalecendo a coordenação entre o setor de telecomunicações e o poder público.

Ao reforçar a Lei Geral das Antenas com parâmetros específicos para situações de emergência, o PL 4893/24 responde a um desafio recorrente em grandes eventos extremos, quando a ausência de conectividade amplia a vulnerabilidade das comunidades. A expectativa é que, com regras claras e incentivos, as prestadoras consigam mobilizar e compartilhar infraestrutura temporária com mais rapidez, assegurando comunicação crítica para resgates, autoridades e cidadãos.

Na prática, a priorização da infraestrutura de comunicação em áreas de desastre tende a se traduzir em protocolos mais ágeis, melhor planejamento prévio e maior integração entre empresas e órgãos públicos. Com isso, a política pública proposta mira reduzir danos, acelerar respostas e garantir que a informação chegue a quem mais precisa, no tempo certo.

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